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DIVERSIDADE CULTURAL É DESTAQUE DA COMEMORAÇÃO DOS 10 ANOS DO CULTURA VIVA

Representantes de Pontos de Cultura, mestres da cultura popular, indígenas, ciganos e integrantes de comunidades de matriz africana, entre outros, estiveram nesta sexta-feira (12/2) em Brasília para um dia inteiro de atividades em comemoração aos 10 anos do Programa Cultura Viva. O Complexo Cultural da Funarte foi palco de apresentações culturais, oficinas, palestras, lançamento de publicações, entrega de trabalhos coletivos e assinatura de novas adesões à rede de parceiros do Programa. As atividades, que marcaram o encerramento da Semana Cultura Viva, celebraram ainda a transformação do Cultura Viva em política de Estado, em julho deste ano.

“O Cultura Viva tem uma importância enorme, porque fez o Estado chegar com profundidade aonde nunca havia chegado. É preciso valorizar a diversidade da cultura brasileira, a cultura popular. Meu sobrenome, Wanzeler, vem de uma cabocla marajoara. E isso para mim é motivo de muito orgulho”, afirmou a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler, durante a solenidade comemorativa.

A secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Márcia Rollemberg, ressaltou a importância do Cultura Viva para a ampliação dos direitos e da diversidade cultural brasileira nos últimos 10 anos. “O Cultura Viva conseguiu potencializar e ampliar a capacidade de grupos que fazem cultura, muitas vezes com dificuldades, em diversas comunidades, nas periferias, no interior do País. Temos, hoje, cerca de 4,6 mil Pontos de Cultura pactuados, em todos os estados do Brasil”, informou.

Márcia Rollemberg também enfatizou a importância da aprovação da Lei Cultura Viva. “Garante ao programa longevidade, ampliação de recursos e mais facilidades no relacionamento dos beneficiários com o Estado. Além disso, cria o Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura, que deve ser disponibilizado em 120 dias”, afirmou. A secretária informou ainda que a primeira etapa da regulamentação da lei será publicada ainda neste ano. “Vamos avaliar as sugestões da Comissão Nacional de Pontos de Cultura (CNPdC) para ver o que pode ser incorporado”, adiantou.

O presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Hilton Cobra, ressaltou que o Cultura Viva é a “ideia mais extraordinária das últimas décadas”. Ele destacou a importância do programa na valorização da cultura das comunidades de matriz africana. “Apenas nos últimos anos, o MinC investiu mais de R$ 36 milhões em editais voltados à cultura afro”, informou. “O sonho de todos nós é que haja um Ponto de Cultura em cada esquina, valorizando não só os negros, mas também todas as matrizes culturais, compondo este caldeirão que é a cultura brasileira”.

Durante a solenidade comemorativa, houve entrega dos relatórios de trabalho do Comitê Técnico de Cultura LGBT, do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) de Acessibilidade e do Colegiado Setorial de Culturas Populares. “O comitê LGBT foi criado há um ano e vem permitindo a discussão qualificada de nossa pauta com o Ministério da Cultura, o que não ocorria anteriormente. Para nós, foi um ano de conquistas. Conseguimos realizar o 1º Encontro Nacional de Arte e Cultura LGBT e obtivemos assento no Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC)”, destacou Sandro Ka, integrante do Ponto de Cultura Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade, de Porto Alegre (RS).

Para o mestre Aelson da Hora, integrante do Colegiado Setorial de Culturas Populares, um dos principais desafios do Cultura Viva é ampliar a parceria com os municípios de menor porte. “A cultura popular no Brasil tem uma importância tamanha que não dá nem para dimensionar. E maior parte dos grupos culturais trabalha de forma precária, sem apoio dos municípios, que em muitos casos ainda não são parceiros do Cultura Viva”, observou. Hoje, o programa está presente em cerca de 25% das cidades do país.

Representante dos ciganos, Maura Piemonte também enfatizou a importância do Cultura Viva no estímulo à produção cultural de seu povo. “A última edição do Prêmio Culturas Ciganas (lançada neste ano) conseguiu chegar dentro dos acampamentos, das tendas. Somos um povo que praticamente não tem acesso a políticas públicas nos municípios. É essencial termos nossa cidadania reconhecida. Afinal, antes de sermos ciganos, somos brasileiros de origem cigana”, afirmou.

Para o pai de santo Lula Dantas, representante da Rede Nacional de Pontos de Cultura e do CNPdC, a atual Política Nacional de Cultura Viva “desescondeu” milhares de instituições culturais nunca antes atendidas por políticas públicas de cultura. “Além disso, o Cultura Viva permitiu a articulação em rede entre os diversos Pontos e reuniu nas Teias e outros eventos milhares de fazedores de cultura deste país”, destacou.

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