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Aplausos de pé e resistência em movimento: Balé Folclórico da Bahia abre a Bienal Sesc de Dança 2025

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Conexões Culturais| Na noite desta quinta-feira (25), aconteceu em Campinas (SP), a abertura da 14ª Bienal Sesc de Dança. A edição marca dez anos do festival na região e reúne corpos, ritmos e linguagens de diversos cantos do mundo.

O espetáculo de abertura, “O Balé que Você Não Vê”, deu início à programação no Sesc Campinas. A montagem é uma celebração aos 37 anos do Balé Folclórico da Bahia, que conduziu o público aos bastidores de uma das companhias mais expressivas da dança afro-baiana, com direção de José Carlos Arandiba (Zebrinha) e Walson “Vavá” Botelho, fundador, diretor-geral e coreógrafo do grupo. A obra reuniu quatro criações: “Okan”, de Nildinha Fonseca, que destacou a força e o papel da mulher negra; “2.3.8”, de Slim Mello, que transformou o bairro Plataforma, em Salvador, em enredo dançado; “Bolero”, de Carlos Santos, fez uma releitura da clássica composição de Maurice Ravel; e “Afixirê”, de Rosângela Silvestre, peça icônica do repertório que celebra as raízes africanas e a cultura da Bahia.

O espetáculo é um manifesto coreográfico de resistência e celebração. Ao entrelaçar danças populares e periféricas com elementos da ancestralidade africana, o grupo não apenas reafirma a centralidade da cultura afro-baiana na formação da identidade brasileira, mas também reposiciona a mulher negra como potência criadora e política. Destaque para a foto da cantora Preta Gil, que entre dezenas de personalidades negras formaram um mosaico na projeção durante o espetáculo.

Ver o Bolero de Ravel ser atravessado por tambores africanos é mais do que um gesto estético, é uma reescrita simbólica da história, onde o cânone europeu se curva diante da pulsação ancestral que move os corpos e territórios. É arte que reivindica espaço, voz e memória, presente no espetáculo desde o silêncio da plateia, até os longos aplausos de pé.

Durante a estreia, Vavá Botelho destacou a importância do momento:

“Estou impressionado com a estrutura desse festival, com a excelência de qualidade de tudo. Desde os equipamentos até a organização de toda a equipe. Completamos 37 anos de existência este ano e a nossa vida foi praticamente toda construída no exterior. Estar aqui, fazendo parte dessa história, me deixa muito feliz. Agradeço ao Sesc, ao Ministério da Cultura, à Lei Rouanet e ao Will Bank, nosso patrocinador master.”

O coreógrafo ressaltou também a trajetória internacional da companhia:

“Temos uma carreira bastante consolidada: são mais de 40 países. Só nos Estados Unidos o balé já se apresentou em 282 cidades. No Brasil, passamos por nove capitais e algumas cidades do interior. ‘O Balé que Você Não Vê’ é justamente esse: o balé dos bastidores, das salas de aula, da formação técnica e dos projetos sociais. São mais de 900 bailarinos já formados nesses 37 anos, muitos deles hoje solistas em grandes companhias do mundo. É esse balé que ninguém conhece e que conseguimos colocar nos maiores teatros do mundo. É preciso que o Brasil veja o Balé que o mundo inteiro já viu.”

A programação da Bienal reúne cerca de 80 atividades entre espetáculos, performances, instalações e ações formativas, representando 18 países e 10 estados brasileiros. A curadora Talita Rebizzi, que assina a programação ao lado de uma equipe de 14 profissionais e do convidado Flip Couto, explicou o processo curatorial:

“A gente fala que começou em dezembro de 2024, mas na verdade é contínuo. Cada curador traz pesquisas que são de uma vida inteira. A questão é: qual Bienal queremos construir? Quem nunca esteve na Bienal e queremos que esteja? Buscamos preencher lacunas e trazer artistas que dialoguem com a produção brasileira, com a nossa história de colonização e de identidade.”

Ela reforçou ainda a dimensão política e social da dança:

“A mensagem é que, ao final desta Bienal, as pessoas se encontrem, troquem e construam coisas juntas. A dança atua como dispositivo de construir futuros: muitos trabalhos denunciam, mas também propõem novas formas de estar no mundo.”

Para o diretor regional do Sesc São Paulo, Luiz Galina, o festival reafirma o compromisso social da instituição:

“O Sesc completa 80 anos no próximo ano e, desde a sua criação, tem como objetivo central promover o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas. Mas para alcançar esse propósito, é preciso enfrentar as injustiças e desigualdades sociais. E a cultura desempenha um papel fundamental nesse processo. Dar voz, visibilidade e valorização às manifestações culturais ancestrais é reconhecer a verdadeira riqueza do Brasil. Nosso país é formado por diferentes povos: os africanos, que foram trazidos de forma cruel e escravizada, os europeus e, claro, os povos originários, os indígenas. Para promover o desenvolvimento de forma justa e inclusiva, é indispensável respeitar e fortalecer essas heranças culturais”.

Luiz Galina complementa, enfatizando o papel da cultura como instrumento de desenvolvimento social.

“Acreditamos que a cultura é imprescindível para o desenvolvimento social do país e das pessoas. Ela valoriza cada indivíduo como ele é, em sua tradição, em sua forma de viver e enxergar o mundo. Quando conhecemos e respeitamos as diferentes manifestações culturais, sejam elas artísticas, sociais ou cotidianas, criamos condições para uma convivência baseada no respeito mútuo. A cultura tem o papel transformador de aproximar as pessoas, revelar suas identidades e promover a diversidade como um valor essencial. É impossível pensar no desenvolvimento de uma sociedade sem que a cultura seja respeitada, promovida e valorizada.”

A Bienal Sesc de Dança é uma realização do Sesc São Paulo, com apoio da Prefeitura de Campinas e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Serviço

Bienal Sesc de Dança

De 25 de setembro a 5 de outubro – Campinas (SP)
Programação completa: sescsp.org.br/bienaldedanca
Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia para +60 anos, estudantes e professores da rede pública), R$ 12 (credencial plena).
Venda: app Credencial Sesc SP, centralrelacionamento.sescsp.org.br
e bilheterias do Sesc SP.

Fotos: Wagner Moreira/Portal Cultura Amazônica

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