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Boi Caprichoso lança coleção de camisas inspirada em orixás e territórios de Parintins

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Parintins volta a se vestir de azul e branco. Em mais um capítulo de sua relação profunda com a cultura amazônica e com as raízes afro-brasileiras, o Boi Caprichoso apresentou sua nova linha de camisas oficiais inspirada na temática “Caprichoso: brinquedo que canta seu chão”. A coleção transforma o território do boi em poesia visual e reafirma o pertencimento cultural de uma nação que vive o boi não apenas na arena, mas em cada canto da cidade.

Camisas que conectam o boi ao território

Mais do que peças de vestuário, as camisas surgem como símbolos de identidade e pertencimento. A campanha percorre ruas, mercados, rios e paisagens de Parintins, conectando o imaginário do boi negro aos espaços que fazem parte do cotidiano da população.

Os modelos foram fotografados em locais que fazem parte da chamada geografia afetiva do Caprichoso, reforçando que o boi vive nos bairros, nas margens dos rios, nas feiras e nas rodas culturais da cidade.

Cada camisa traz no peito a força simbólica de um orixá, reafirmando uma bandeira histórica do boi: o respeito e a valorização das religiões de matriz africana, fundamentais para a formação da identidade cultural amazônica.

Orixás e territórios de Parintins

A coleção inicia com peças inspiradas em diferentes forças espirituais e seus territórios simbólicos na cidade.

Oxum, orixá das águas doces, do amor e da prosperidade, foi fotografada na Orla da União, cenário que dialoga com sua ligação com rios e fontes de vida.

Iemanjá, protetora dos pescadores, surge nas proximidades da fábrica de gelo, às margens do Rio Amazonas, reforçando a relação entre o povo ribeirinho e as águas.

Ogum, guerreiro que abre caminhos, aparece no Mercado Municipal Luiz Gonzaga, espaço de trabalho e força da economia popular.

Oxalá, símbolo de paz e criação, foi registrado no Liceu de Artes, ambiente de formação cultural e criatividade.

Oxóssi, senhor das matas e da fartura, surge nas paisagens verdes do Parananema, território de natureza viva e ancestralidade amazônica.

Ancestralidade e diversidade

A coleção também traz peças que celebram outras dimensões da identidade cultural da nação azulada. A camisa “Na festa de preto tem axé” foi fotografada no Parananema, cenário marcado por encontros culturais e pela vibração espiritual que acompanha a história do boi.

Já a camisa dedicada à diversidade LGBTQIA+ ganhou vida na Francesa, tradicional ponto boêmio e cultural da cidade, onde arte, liberdade e pluralidade se encontram.

Representatividade na campanha

A campanha conta com a participação dos modelos Jorge Fontenele, Huanna Iasmyn, Paula Gomes, Bianca Pontes, Joney Heyahe, Katrine Gomes, Ralf Cordeiro e Renzo Bastos, que representam a diversidade humana e cultural da nação azul e branca.

Para Paula Gomes, mulher negra e integrante da comunidade LGBTQIA+, participar do projeto tem um significado especial.

“Vestir o Caprichoso nessa campanha é afirmar quem eu sou e de onde eu venho. Como mulher negra e LGBTQIA+, estar nesse projeto significa mostrar que o boi também é espaço de acolhimento, diversidade e orgulho das nossas identidades.”

Já Joney Heyahe, representante do povo indígena Hixkaryana, destaca a ligação entre o boi e os povos originários da Amazônia.

“O Caprichoso sempre valorizou os povos indígenas e nossas culturas. Participar dessa campanha é mostrar que esse chão também é indígena, é floresta, é ancestralidade.”

O boi que canta o seu chão

Ao levar suas camisas para diferentes cenários da cidade, o Boi Caprichoso reafirma aquilo que suas próprias toadas anunciam: o boi é parte da vida cotidiana de Parintins.

Do Bumbódromo de Parintins às margens do Rio Amazonas, das feiras aos bares, das trilhas do Parananema às rodas culturais da cidade, o Caprichoso segue cantando o chão que pisa — um chão feito de memória, luta, fé e cultura.

As camisas estarão disponíveis para venda na Vitrine Azul, e as informações sobre a comercialização serão divulgadas em breve. O boi também prepara novas baterias da coleção, ampliando a proposta que celebra territórios, diversidade e ancestralidade.

📸 Fotos: Sanler Cardoso

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