Por Norma Bentes | A concentração econômica, de população e de urbanização em Manaus, também se reflete na dinâmica migratória no Estado do Amazonas? O que revelam os dados do Censo 2022 sobre a distribuição territorial e a origem das pessoas Não naturais do Amazonas?
Sobre a distribuição dos migrantes no território amazonense, os censos de 1970 a 2022 demonstram predomínio da capital Manaus como destino preferencial dos migrantes. Assim, em 1970, das 62.437 pessoas que declararam serem Não naturais do estado do Amazonas, 69,15% residiam em Manaus.
Nas décadas seguintes, aumentou significativamente, tendo alcançado 83,99% em 1980 e, 83,13% em 1991, coincidindo com o período de auge do crescimento e concentração populacional na capital (SOUSA, 2016). Contudo, a partir de 2000 iniciou-se uma redução de migrantes em Manaus, registrando 80,13% e, em 2010, 77,78%. Em 2022, essa tendência de queda se manteve, com 74,61%.
Apesar da queda na proporção de migrantes em Manaus no período 1970-2022, a capital ainda atrai a maior parte dos fluxos migratórios do estado, mantendo-se como principal polo de atração (Tabela 1).

Em 2022, 10,37% da população residente no Amazonas era composta por pessoas não naturais do estado. Em Manaus, essa proporção foi ainda maior, alcançando 14,77%. Quanto à origem desses migrantes — considerando a unidade da federação (UF) ou o país de nascimento — o Estado do Pará lidera, com 37,82% no total do Amazonas e 41,61% em Manaus.
Os nascidos em países estrangeiros ocupam o segundo lugar entre os migrantes no Amazonas (14,08%) e em Manaus (14,80%), possivelmente em razão da presença de fábricas transnacionais da Zona Franca de Manaus (ZFM). Em 3.o lugar de UF com maior quantitativo de migrantes está o Maranhão, com 6,84% no Amazonas e 7,31% em Manaus. O Acre alcançou o 4.o lugar, com 6,62%, contudo na capital, essa posição é do Ceará, com 6,87%,
Apesar de os estados da própria região Norte serem os principais locais de origem da população migrante no Amazonas e em Manaus, há novidades, pela relevante presença de migrantes do Maranhão (Região Nordeste) nesse território, superando o predomínio de pessoas naturais do Ceará que sempre foi marcante e historicamente associada ao período áureo da borracha (tabela 2).

Foto: Paulo Neves Junior
REFERÊNCIAS
IBGE. Censo demográfico 2022. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/censo-demografico/demografico-2022/amostra-fecundidade-e-migracao
SOUSA, Norma Maria B. A urbanização do Amazonas no presente: a manutenção da primazia urbana de Manaus. Rio de Janeiro, UFRJ, 2016 (Tese de Doutorado).
Biografia
Norma Maria Bentes de Sousa Nascida em Santarém-PA Graduação em Serviço Social (UFPA) – 1995), Mestrado em Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ) – 1998, Doutorado em Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ) – 2016. Analista de Informações Geográficas e Estatísticas, IBGE SES Pará. Autora dos Livros: – Manaus: Realidade e contrastes sociais 2004 – 1a edição); 2014 – 2a edição. Manaus, Editora Valer; = Indicadores Sociais no Amazonas: Contrastes na urbanização da capital e do interior. Manaus, COMCULTURA, 2008. Premiações: – Prêmio Literário Cidades de Manaus, Categoria Samuel Benchimol – Livro de Ensaio Socioeconômico – Ano 2008 – Prêmio Literário Cidades de Manaus, Categoria Samuel Benchimol – Livro de Ensaio Socioeconômico – Ano 2014
Acesse o www.culturaamazonica.com.br e saiba mais sobre a região amazônica.

















Leave a Reply