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Dança Monstro: o rito contemporâneo que pulsa ancestralidade

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Conexões Culturais| Na 14ª Bienal Sesc de Dança, a Companhia dos Pés Brasil apresentou “Dança Monstro”, uma obra que se mostra como ritual cênico, gesto político e experiência estética de rara densidade. Sob a condução visceral de Joelma Ferreira, Magnum Angelo e Reginaldo Oliveira, o espetáculo construiu, diante do público, uma coreografia que não se limita ao corpo em movimento, mas sim como paisagem, pulsação e memória.

O início, marcado por uma sequência rítmica metronômica, oscilava entre o compasso do coração e a cadência dos tambores, instaurando uma atmosfera liminar onde a vida e a ancestralidade pareciam partilhar o mesmo pulso. Em círculo, os performers desenhavam movimentos precisos, firmes e ritmados, evocando danças cerimoniais dos povos originários. Ali, a cena nitidamente não imitava, mas recriava uma ponte simbólica entre o contemporâneo e o ancestral, entre a arte e o rito.

         

A nudez, assumida como não-normatização, rompeu qualquer expectativa de erotização. Era corpo em estado de natureza, corpo devolvido à sua condição essencial. Um gesto estético e político que devolvia ao público paralelos entre o genuíno e as convenções. Essa escolha, longe de ser provocação gratuita, adensava a ideia de que a arte, assim como os povos indígenas, resiste porque permanece ligada à terra, à água, ao ar, ao fogo e ao invisível.

A trilha sonora e iluminação não eram coadjuvantes, eram parte da própria dramaturgia. Sons e luz se entrelaçavam aos corpos, expandindo o espaço cênico até o limite do imaterial. O resultado era de uma grandiosidade poética que capturava o espectador não pelo excesso, mas pela inteligência da síntese.

“Dança Monstro” é espetáculo que desloca. Não apenas pela beleza coreográfica, mas pela coragem em afirmar que a dança é território de resistência, reverência e invenção. Poético, instigante e de uma atualidade cortante, é obra que se inscreve na memória da Bienal não como mera apresentação, mas como rito coletivo que fez do público testemunha e partícipe de uma experiência limiar.

Um trabalho que, ao entrelaçar cultura, dança e natureza, reafirma que a arte contemporânea encontra sua força justamente quando retorna às fontes mais profundas da humanidade, que faz mais uma vez o pensamento de Krenak de que “o futuro é ancestral” emergir.

Fotos: Benita Rodrigues

SERVIÇO

BIENAL SESC DE DANÇA

De 25 de setembro a 5 de outubro – Campinas (SP)
Programação completa: sescsp.org.br/bienaldedanca
Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia), R$ 12 (credencial plena).

Locais das apresentações:

Sesc Campinas – Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim.
CIS Guanabara – Armazém I | Armazém II | Gare – Rua Mário Siqueira, 829 – Botafogo.
Estação Cultura – Praça Marechal Floriano Peixoto, s/n° – Centro (entrada de público). Rua Francisco Teodoro, 1.050 Vila Industrial (estacionamento).
Largo das Andorinhas | Travessa São Vicente de Paula – Av. Anchieta, s/nº – Centro (em frente à escola Carlos Gomes).
Praça Bento Quirino – Entre a Rua Barreto Leme, Rua Barão de Jaguara e Avenida Benjamin Constant – Centro.
Praça Rui Barbosa – Rua 13 de maio, s/nº – Centro (próximo ao nº 159).
Praça Carlos Gomes – Rua Irmã Serafina s/nº – Cambuí
Rodoviária – Terminal Multimodal Ramos de Azevedo – Rua Dr. Pereira Lima, 60-140 – Vila Industrial.
Senac Campinas – Rua Sacramento, 490 – Centro.
Teatro Municipal José de Castro Mendes – Rua Conselheiro Gomide, 62 – Vila Industrial.
Unicamp – Cidade Universitária Zeferino Vaz, s/n° – Barão Geraldo.

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