Manaus (AM) – A convite do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), as jovens amazonenses Tainara e Isabele Kambeba participam da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre até 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). Elas integram o grupo de 18 adolescentes e jovens de seis estados brasileiros, convidados para representar a juventude em um dos mais importantes espaços globais de debate sobre o clima.
As ativistas indígenas vivem em Manaus e Tefé, e pertencem ao povo Omágua/Kambeba. Na conferência, defendem pautas ligadas à proteção dos povos da floresta, à preservação dos recursos naturais e à garantia de saúde, segurança e direitos de crianças e adolescentes frente aos impactos do desmatamento e da contaminação dos rios.
Protagonismo indígena e juventude amazônica
As amazonenses Tainara Cruz, 21 anos, e Isabele Cristina Gomes Taite, 19 anos, participam da iniciativa #EntreNoClimaUNICEF, que incentiva adolescentes e jovens de todo o Brasil a propor soluções para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Ambas também integram programas de formação e liderança juvenil, como o projeto ‘Formação em Jovens Lideranças Climáticas’, promovido pelo UNICEF.
Durante a conferência, as jovens participam de painéis, encontros e atividades paralelas com lideranças nacionais e internacionais, levando as vozes das comunidades indígenas amazônicas ao centro das discussões.
Representantes do Amazonas
Tainara Kambeba mora na comunidade Três Unidos, na Zona Metropolitana de Manaus. É integrante da Rede de Comunicadores Jovens da Makira-E’ta e Jovem Ativista do UNICEF desde 2023. Participou da COP27, no Egito, e atua na defesa da Amazônia e no combate ao desmatamento.
“Para mim, estar aqui representando a juventude indígena dos povos do Amazonas é muito importante. Estou carregando a voz daqueles que não puderam estar aqui e trazendo as pautas das reuniões que acontecem em nosso território, especialmente as voltadas à juventude, como a educação escolar e os direitos das crianças e adolescentes indígenas”, explica Tainara.
A jovem também reforça a relevância da presença indígena nos espaços globais de decisão.
“A principal mensagem que eu quero enfatizar é a importância de nós, indígenas, estarmos presentes nestes espaços, fruto de muita resistência, pois um dia nossos ancestrais lutaram muito para que a gente pudesse estar aqui hoje”, ressalta.
Já Isabele Kambeba mora em Tefé, no interior do Amazonas. A jovem indígena é ativista pela saúde indígena, meio ambiente e pelos direitos das mulheres, crianças, jovens e pessoas LGBTQIA+. Atua como conselheira da Rede de Mulheres Indígenas Makira-E’ta, secretária-executiva da União dos Povos Indígenas do Médio Solimões e Afluentes (UNIPI-MSA) e assessora indígena no Distrito Sanitário Especial Indígena Médio Rio Solimões e Afluentes.
Na COP30, Isabele reforça a necessidade de as comunidades amazônicas serem ouvidas e de seu protagonismo na conservação ambiental e na busca pela justiça climática.
“Falamos muito de direitos humanos. As mulheres, as crianças e as juventudes indígenas são as primeiras a sentir as consequências ambientais em nossos territórios. Só nós sabemos o quanto sofremos com o impacto dessas mudanças climáticas e as privações que passamos”, afirma Isabele.
Vozes que ecoam da floresta ao mundo
Para Tainara e Isabele, a presença na COP30 é uma oportunidade de mostrar que o conhecimento ancestral dos povos da floresta deve caminhar junto à ciência moderna.
“Nós vivemos uma realidade muito diferente das pessoas que hoje se encontram aqui na COP30 e que têm o poder de mudar isso. Por isso, precisamos falar do que a floresta, a natureza, significa para a nossa vida”, destacam as jovens ativistas.
Essa fala ressoa com o posicionamento do próprio UNICEF, que vê na participação juvenil um elemento essencial para a construção de respostas efetivas à crise climática. A Oficial de Participação e Desenvolvimento de Adolescentes do UNICEF no Brasil, Luiza Leitão, reforça essa perspectiva.
“A presença desses adolescentes e jovens brasileiros na COP30 é um lembrete poderoso de que enfrentar a crise climática exige ouvir quem já vive seus impactos todos os dias. São meninas e meninos que trazem suas experiências, ideias e soluções para o centro das decisões. O UNICEF acredita que fortalecer as vozes das adolescências e juventudes é essencial para construir respostas justas e realistas às mudanças climáticas”, frisa a oficial.
A COP30 e a agenda da Infância e Juventude
A participação do grupo de jovens do UNICEF na COP30 integra a agenda global da instituição para promover justiça climática e reforçar que os efeitos da crise ambiental já comprometem direitos fundamentais das gerações atuais e futuras.
Entre as ações defendidas pelo UNICEF estão a ampliação da educação climática nas escolas; garantias de proteção social para famílias afetadas por desastres ambientais; participação efetiva de crianças, adolescentes e jovens nas decisões públicas; e recursos para adaptação climática em setores essenciais como saúde, saneamento e educação.
Um chamado global a partir da Amazônia
A realização da COP30 na Amazônia tem um simbolismo histórico. Pela primeira vez, o maior evento sobre clima do planeta ocorre no território que abriga a maior floresta tropical do mundo, e povos que há milênios protegem a natureza.
Nesse contexto, as vozes de Tainara e Isabele ecoam como um chamado urgente: ouvir os povos da floresta é essencial para preservar o planeta.
“Nós não somos o futuro do amanhã, somos o presente, o agora. Estamos aqui para reivindicar os nossos direitos e trazer melhorias para outras crianças e jovens que ficaram em nossos territórios. Eu espero levar soluções para a minha comunidade. A nossa presença aqui na COP30 ficará marcada em nossas vidas e vai influenciar no futuro dos povos indígenas do Amazonas”, conclui Tainara.
Sobre a COP30
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) ocorre até 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). É a primeira edição do evento realizada na Amazônia brasileira, reunindo líderes mundiais, cientistas, ativistas e representantes da sociedade civil para discutir soluções de enfrentamento à crise climática.
Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) atua em mais de 190 países e territórios, promovendo os direitos de crianças e adolescentes, com foco nas populações mais vulneráveis.
No Brasil, onde comemora 75 anos de atuação em 2025, o UNICEF trabalha em parceria com governos, organizações e comunidades locais. Suas ações são financiadas integralmente por contribuições voluntárias.
Fotos: Divulgação
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