Receber um diagnóstico de câncer vai muito além do impacto físico. Medo, ansiedade, incertezas e pensamentos sobre a morte costumam surgir de forma intensa, afetando não apenas o paciente, mas também toda a família. Dentro da campanha Janeiro Branco, a psicóloga oncológica, Dra Rosineide Borges, da Oncológica do Brasil reforça que o bem-estar começa na mente e destaca a importância do acompanhamento psicológico como parte fundamental do tratamento oncológico.
A especialista destaca ainda que o sofrimento emocional após o diagnóstico de câncer é comum e precisa ser acolhido com a mesma atenção dedicada ao tratamento clínico.
“O câncer provoca uma ruptura na vida do paciente. Surgem medos profundos, sensação de perda de controle e insegurança em relação ao futuro. O acompanhamento psicológico ajuda o paciente a elaborar essas emoções, fortalecer recursos internos e atravessar o tratamento com mais equilíbrio emocional”, explica Dra Rosineide Borges.
Dados publicados pelo The Oncologist indicam que entre 30% e 50% dos pacientes oncológicos apresentam alguma comorbidade psiquiátrica, sendo a depressão duas a quatro vezes mais frequente em pessoas com câncer do que na população em geral. No público geral, outro levantamento aponta que 34% dos brasileiros receberam diagnóstico de doença mental, com prevalência de ansiedade (80%) e depressão (43%).
Essa realidade foi sentida por Ana Lúcia, hoje com 43 anos, mãe de três filhos, que recebeu o diagnóstico de câncer de mama em junho de 2021.
“Ninguém espera um diagnóstico desses. É como se o chão abrisse debaixo dos pés. Um filme da vida passa na sua frente em segundos e o medo da morte se torna real”, relata. O temor era ainda maior por causa do filho mais novo, que tinha apenas 12 anos na época. “Os questionamentos vinham sem parar: quem vai criar meu filho, preparar ele para a vida?”, relembra.
Ao longo do tratamento, que incluiu cirurgias, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia. Ana contou com o apoio da família e de equipes multidisciplinares, mas sentia que precisava de um suporte emocional mais profundo. Essa virada aconteceu quando chegou à Oncológica do Brasil, onde teve contato com um atendimento humanizado e com o acompanhamento psicológico.
“Na primeira consulta psicológica, consegui me reconectar comigo mesma. Foi libertador. Percebi que a Ana ainda existia, só precisava despertar de um novo jeito, com novas perspectivas e sonhos”, afirma.
Para a Dra. Rosineide Borges, esse processo é essencial, especialmente no pós-tratamento.
“Muitas vezes, quando o tratamento clínico termina, o emocional ainda está fragilizado. Projetos terapêuticos contínuos, como grupos de apoio e acompanhamento psicológico, ajudam o paciente a ressignificar a experiência da doença e a retomar a vida com mais segurança emocional”, destaca. Ela também orienta familiares a buscarem informação, acolhimento e a evitarem cobranças excessivas. “Ouvir, respeitar o tempo do paciente e incentivar o cuidado com a saúde mental faz toda a diferença.”
Hoje, Ana Lúcia segue em acompanhamento e faz hormonioterapia até 2029. Curada, ela reforça a mensagem de esperança.
“Existe muita vida após o câncer. O apoio emocional, o acolhimento e o cuidado multidisciplinar transformam essa jornada. A mente fortalecida ajuda a atravessar o deserto com mais esperança”, conclui.
Dentro do Janeiro Branco, a Oncológica do Brasil reforça que falar sobre saúde mental é um ato de cuidado e que, no enfrentamento do câncer, cuidar da mente é cuidar da vida.
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