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”Meu Sangue Ancestral”: Eva Topázio lança primeiro fanzine em Manaus e fortalece literatura travesty

Composição formada pela Capa do Fanzine e foto de Eva Topázio de vestido e leque vermelho
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A multiartista Eva Topázio de Oliveira lança no próximo sábado (7/3) seu primeiro fanzine, “Meu Sangue Ancestral”, no Espaço Cultural e Holístico Sereia Mística, localizado no Centro de Manaus. O evento marca não apenas a estreia editorial da autora, mas também um gesto político de afirmação da literatura travesty na Amazônia.

Mulher trans, nascida e criada na periferia da capital amazonense, Eva é filha do Recanto de Preta Mina Ilê de Iansã e integra a casa Casco Jabutt na cena ballroom de Manaus, onde já conquistou três premiações em menos de seis meses de atuação. Sua trajetória cruza espiritualidade, território, cultura ballroom e escrita, elementos que atravessam as páginas do fanzine.

Literatura travesty como resistência

“Meu Sangue Ancestral” se insere na tradição da literatura travesty, uma produção que rompe com padrões normativos da escrita e coloca no centro as vivências de mulheres trans e travestis. Mais do que narrativas individuais, trata-se de uma escrita que reivindica memória, corpo, ancestralidade e sobrevivência.

Em um país que lidera índices de violência contra pessoas trans, publicar é um ato de enfrentamento. A literatura travesty transforma dor em linguagem, marginalização em discurso e invisibilidade em registro histórico. Ao lançar seu fanzine, Eva amplia o repertório de autorias trans na região Norte, tensionando os espaços literários ainda marcados por exclusões estruturais.

Escrita coletiva e multiplicidade de vozes

O fanzine também reúne outras transcritoras e colaboradoras, fortalecendo a dimensão coletiva da obra. Entre elas estão Marcia Antoneli, Aritana Tibira e Teresa Manicongo, ampliando o diálogo entre diferentes experiências e perspectivas dentro da própria comunidade trans. Essa construção plural reafirma que a literatura travesty não é homogênea: ela é múltipla, atravessada por territorialidades, religiosidades, linguagens artísticas e experiências periféricas. No caso de Eva, a ancestralidade de terreiro e a vivência ballroom aparecem como forças criativas e políticas.

“Meu Sangue Ancestral” não é apenas um fanzine, é um registro de existência. Em cada página, Eva Topázio reafirma que corpos trans amazônidas produzem pensamento, estética e memória. E que a literatura travesty, longe de ser nicho, é parte fundamental da produção cultural contemporânea brasileira.

Foto: Manauarou

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