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Edson Natale lança obra para violão e orquestra, sob a regência da maestra do Pará Cibelle Donza em homenagem a Maria Luiza Kfouri — guardiã da memória musical brasileira

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Não se trata apenas de um lançamento. MANA, novo álbum de Edson Natale, é um gesto de reparação histórica e um manifesto artístico em defesa da memória cultural brasileira. Com estreia nas plataformas digitais em 24 de abril, o disco transforma o violão em voz narrativa de uma ausência irreparável: a da jornalista, musicóloga e pesquisadora Maria Luiza Kfouri, uma das mais importantes e incansáveis guardiãs da música brasileira, falecida em 2023.

Produzido e orquestrado por Sergio Molina, com regência da maestra paraense Cibelle Donza, o álbum expande o universo do violão para uma dimensão sinfônica, sem perder a pulsação íntima que define a obra de Natale. Ao seu redor, gravitam vozes e instrumentistas como Tatiana Parra, Paulo Freire, Tuco Marcondes, Rubi, Luz Ribeiro, Maurício Badé e Alex Braga — artistas que não apenas participam, mas tensionam e amplificam o discurso estético e político do projeto.

O título MANA carrega a força simbólica de sua origem: Maria Luiza Kfouri foi uma arquiteta da memória sonora do país. Criadora do projeto Discos do Brasil, responsável por reunir ao longo de mais de seis décadas um dos mais relevantes acervos fonográficos nacionais, Kfouri atuou de forma decisiva na formação de repertórios, na curadoria musical e na construção de pensamento crítico sobre a música brasileira. Sua trajetória inclui ainda a direção da Rádio Cultura AM de São Paulo e atuação na Gazeta FM, emissora reconhecida pela APCA. Sua morte, aos 69 anos, vítima de câncer de pâncreas, deixou uma lacuna que este álbum se recusa a naturalizar.

Instrumental, mas longe de ser neutro, MANA reúne dez faixas que operam como arquivos sensíveis: cada composição é atravessada por memória, política e afeto. O repertório articula peças autorais e parceria, incluindo uma valsa composta com Sergio Molina em homenagem a Pepe Mujica, além de colaborações com Paulo Freire, Alex Braga, Juju Nogueira, Toninho Mattos e Alfredo Victor.A presença de uma orquestra de cordas com 17 músicos, reunida pela violoncelista Adriana Holtz, amplia o alcance da obra. O diálogo entre o gesto solitário do violão e a massa sonora coletiva não busca conforto, constrói tensão, densidade e permanência. É música que insiste em lembrar — mesmo quando tudo ao redor conspira pelo apagamento.

O modo de lançamento reforça essa posição. Antes de chegar às plataformas, MANA circula prioritariamente por emissoras públicas e universitárias, um gesto deliberado que recoloca no centro do debate o papel dessas instituições na formação cultural do país. Não é estratégia de nicho: é afirmação de valores.

Com mais de 50 profissionais envolvidos, o projeto se estrutura como uma ação de longo alcance. Viabilizado pela Lei Rouanet, com patrocínio do Banco Itaú e da RedeCard e produção da Zarpazanza Arte e Cultura, MANA prevê ainda circulação nacional com encontros e debates, além da produção de edições em vinil destinadas gratuitamente a instituições culturais, universidades, escolas de música, pesquisadores e acervos públicos. Um esforço concreto para que a memória não apenas sobreviva — mas circule, provoque e permaneça ativa.

Edson Natale

É músico, produtor cultural, jornalista e escritor. Autor do livro A Música no Brasil que você toca, é organizador do Guia Brasileiro de Produção Cultural e de Direito, arte e liberdade. Sua discografia é formada por 13 álbuns, entre eles Nina Maika (1990), Âmbar, os afluentes da música (2020), A egípcia e o mecânico (2022) e Ruidagem, a garagem das sete lembranças (2025), projeto experimental que deu origem a disco e livro. Atualmente integra o quarteto instrumental HANT, junto com Tuco Marcondes, Alex Braga e Hugo Hori.

Durante mais de vinte dois anos geriu a área de música Itaú Cultural e por quase uma década foi o gerente-coordenador do Auditório Ibirapuera. É autor dos livros infantis A história do incrível Peixe Orelha (2003), Pequeno calendário para os que sabem ler o tempo (2009) e Balila, a minhoca bípede. Atualmente é diretor da Zarpazanza Arte & Cultura, participa de projetos do Instituto Çarê e é o curador de programação da Casa Museu Ema Klabin.

REPERTÓRIO

pinda – Edson Natale
sol de inverno – Edson Natale, Juju Nogueira,Toninho Mattos e Alex Braga
una valsa para Pepe – Edson Natale e Sergio Molina
viajante – Edson Natale
solavanco – Edson Natale e Paulo Freire
ida e volta – Edson Natale
velhas almas – Edson Natale e Toninho Mattos
amor porteño – Edson Natale, Alex Braga e Alfredo Victor
huellas com preta semente – Edson Natale e LuzRibeiro
afluente do futuro – Edson Natale

Ficha técnica MANA: disponível nas plataformas de streaming em 24 / 04 / 2026

MÚSICOS

Edson Natale – violão

Alex Braga – violino solo em viajante

André Magalhães – prato em amor porteño

Luz Ribeiro – voz em huellas com preta semente

Maurício Badé – percussão em sol de inverno, viajante e amor porteño

Paulo Freire – viola em Solavanco

Rubi – voz em Solavanco

Sergio Molina – violão em Viajante e piano em Una valsa para Pepe

Tatiana Parra – voz em Pinda

Tuco Marcondes – violão em Velhas Almas

orquestra de cordas

Adriana Holtz – violoncelo

Alex Braga – violino

Amanda Martins – violino

Andres Lepage – viola

Cesar Augusto de Miranda – violino

Cláudio Torezan – contrabaixo

Elisa de Lima Monteiro – viola

Emerson De Biaggi – viola

Francisco Ederson Pereira – viola

Gabriel Curalov – violino

Gabriel Meca – violino

Guilherme Peres – violino

Jin Joo Doh – violoncelo

Katia Ranguelova – violino

Leandro Dias – violino

Lucas Marquezin Evangelista – violoncelo

Luiz Amato – violino

Rodolfo Lota – violino

Sung Eun Cho – violino

Thais Curalov – violino

Vana Bock – violoncelo

direção artística – Edson Natale

direção musical, produção artística e arranjos – Sergio Molina

regência – Cibelle Donza

arregimentação – Adriana Holtz

direção de estúdio – André Magalhães

engenheiros de áudio – Alberto Ranellucci, Alexandre Fontanetti, André Magalhães, Gustavo Ruiz, Letícia Patané, Otávio Rossato e Felipe Silotto

técnicos de estúdio – Kim Stroeter, Pedro Luz

design gráfico – Cíntia Belloc

foto da capa – Renê de Paula

fotos contra capa e interna – Renato Nascimento

vídeos – Filipe Magalhães

gravado nos estúdios Brocal, Pau Brasil, Space Blues – Dharma, Zabumba e FASM (Faculdade Santa Marcelina), onde gravamos o piano.

mixagem – André Magalhães

masterização – Homero Lotito

assessoria de imprensa: Débora Venturini

edição e revisão das partituras – Matheus Bitondi

assessoria jurídica – Olivieri Advogados Associados

assessoria fonográfica – Fernando Yazbek

distribuição digital: Tratore

assessoria internacional – Brasil Calling / David McLoughlin

produção executiva – Zarpazanza Arte e Cultura

Patrocínio: Banco Itaú e Redecard

Projeto incentivado através da Lei Rouanet – Governo Federal

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