A relação profunda entre cultura e rios na Amazônia é o eixo central do novo álbum Canto para os Rios, da cantora e compositora Tarita de Souza, que acaba de ser lançado nas plataformas digitais. O trabalho surge a partir de uma experiência de imersão da artista de São Paulo na região Norte do Brasil, onde realizou viagens ao longo de três anos, vivenciando o cotidiano ribeirinho, navegando por rios e estabelecendo trocas com artistas e comunidades locais.
Inspirado especialmente nos rios amazônicos, de suas dinâmicas naturais às dimensões simbólicas e culturais, o disco propõe uma escuta sensível sobre a água como elemento de memória, identidade e fluxo de vida. A travessia musical percorre diferentes paisagens, chegando até a foz do Rio Amazonas, em Macapá, e destaca a centralidade dos rios como parte da vida cotidiana no Norte, em contraste com o distanciamento vivido em grandes centros urbanos do Sudeste.
O álbum conta com produção e arranjos de Dante Ozzetti e se constrói também a partir de encontros artísticos. Entre as parcerias, destacam-se nomes importantes da cena nortista, como a cantora amapaense Patrícia Bastos, além de Nayara Guedes, do Pará e contribuições de compositores paraenses como Ronaldo Silva e Allan Carvalho. O repertório inclui ainda colaborações com o poeta Joãozinho Gomes, reforçando o diálogo com a produção cultural da região.
As canções transitam entre elementos da mitologia amazônica, como a figura da Iara, referências ao imaginário popular e reflexões sobre pertencimento e transformação. Faixas como “Canoa Voadeira” e “Valsa de Rios” evocam o movimento constante das águas e das vidas que delas dependem, enquanto “Guajará” encerra o disco com uma atmosfera de memória e saudade, inspirada nas paisagens do Norte.
Além do álbum, o projeto se desdobra em um filme dirigido por Luan Cardoso, com imagens captadas nos estados do Pará e Amapá durante as imersões da artista. O audiovisual amplia a experiência do disco ao reunir registros documentais e poéticos da relação com os rios amazônicos e será lançado no final de abril.
Com forte presença de vozes — em solos, coros e texturas coletivas — Canto para os Rios reforça a música como espaço de encontro entre territórios e saberes, destacando a riqueza cultural da região Norte e suas conexões com a natureza.
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