Neve, chuva e temperaturas baixas marcaram a disputa da segunda etapa do Grand Prix das Américas de Tiro com Arco, realizada em Santiago, no Chile. Mas foi nesse cenário extremo que a arqueira amazonense Graziela Yaci dos Santos, indígena do povo Karapãna, colocou o Brasil no topo internacional ao conquistar duas medalhas de ouro no recurvo feminino.
Natural da comunidade indígena Kuanã, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, na zona rural de Manaus (AM), Graziela iniciou sua trajetória no tiro com arco em 2013, por meio do projeto “Arquearia Indígena”. A iniciativa é coordenada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e busca incentivar o esporte entre jovens indígenas da Amazônia.
Conquistas no Grand Prix
Considerado um dos principais torneios do continente, o Grand Prix das Américas reúne atletas de diferentes países em etapas válidas para o ranking mundial.
Na competição, Graziela conquistou dois títulos disputados paralelamente. O primeiro ouro veio no Campeonato Sul-Americano (SACh), onde terminou à frente da brasileira Ana Clara Machado. Já o segundo foi no World Ranking Event (WRE), após superar a chilena Javiera Andrades.
“Foi uma competição muito desafiadora por causa do frio intenso. Precisamos trabalhar muito o controle emocional para não desistir. Essas medalhas representam todo o esforço dos treinamentos e também a responsabilidade de representar o meu povo e o Brasil”, afirma.
O talento da atleta passou a ganhar destaque ao longo dos anos. Graziela tornou-se a primeira mulher indígena a integrar a seleção brasileira de tiro com arco e passou a representar o país regularmente em competições nacionais e internacionais.
Entre os principais resultados da carreira estão duas medalhas de ouro nos Jogos Sul-Americanos, a prata no Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco e, mais recentemente, o título de melhor atleta na 1ª Copa Norte-Nordeste de Tiro com Arco.
As conquistas no Chile fortalecem a preparação da arqueira para futuras disputas internacionais e para o ciclo rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
“Cada competição também é uma oportunidade de mostrar que os povos indígenas podem ocupar qualquer espaço. Trabalho para levar comigo minha comunidade, minha história e todas as pessoas que acreditam no meu trabalho”, finaliza.
Sobre a FAS
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.
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