Em exibição e venda na Cidade Matarazzo, coleção exclusiva reúne duas décadas de achados globais e peças autorais sob o conceito da arqueologia afetiva.
Os objetos que escolhemos para decorar nossa casa são inanimados ou guardam a alma dos tempos? No coração de São Paulo, uma nova exposição responde a essa provocação com um convite irrecusável. O Acervo Jorge Feitosa desembarca na Mata Lab trazendo relíquias que desafiam a efemeridade do mundo moderno. Mais do que uma simples mostra de design e antiguidades, o projeto apresenta uma poderosa narrativa sobre o tempo, reunindo peças raras garimpadas ao longo de vinte anos de viagens pelo Brasil e pelo mundo.
O Conceito por Trás da Memória da Matéria
A curadoria do espaço, idealizada pelos diretores da Mata Lab, Carolina Friedmann e Tunico de Castro Filho, nasceu do encantamento pelo olhar do artista rondoniense Jorge Feitosa e de seu marido, o executivo Fábio Garcia. A filosofia que guia a coleção se ancora no conceito de “Memória da Matéria”, uma linha de pensamento que dialoga diretamente com a estética japonesa do Wabi-Sabi, valorizando a beleza da imperfeição e as marcas do tempo.
“O que define a memória da matéria é compreender que os objetos retêm os rastros do tempo, as mãos que os tocaram e as histórias que sobreviveram ao esquecimento”, explica Jorge Feitosa. Essa busca se apoia em pilares como a arqueologia afetiva e a salvaguarda de itens que poderiam se perder na indiferença histórica.
Raridades Globais e Design Nacional em Destaque
Quem visita o hub de criatividade da Mata Lab encontra uma seleção minuciosa que mescla a produção autoral de Jorge, incluindo quadros, cerâmicas e aquarelas recém-chegadas de uma temporada em Paris, a achados históricos acompanhados por exclusivas fichas de curadoria.
Design Europeu: Taças da coleção Golden Zuzana (1956), criadas por Jozef Stanik com esferas de ouro encapsuladas (modelo idêntico ao presente de casamento de Lady Di); vasos em cristal azul-cobalto da extinta Cristalleries de Nancy; e porcelanas vintage Yves Saint Laurent em estado intacto de estoque (Deadstock).
Identidade Brasileira: Castiçais em bronze maciço da Metalúrgica Abramo Eberle (c. 1930) e cerâmicas nacionais das décadas de 1950 a 1970, incluindo uma cornucópia “repatriada” dos Estados Unidos pelo casal.
“Nossas viagens se tornaram um aprendizado mútuo”, comenta Fábio Garcia, destacando o jogo de gamão iraniano em osso de camelo descoberto na Turquia como exemplo do processo de pesquisa que reescreve a biografia de cada item.
SERVIÇO
Espetáculo: Acervo Jorge Feitosa na Mata Lab
Local: Alameda Rio Claro, 260 – Bela Vista, São Paulo (Complexo Cidade Matarazzo)
Horário: Segunda a sábado, das 10h às 22h; domingos, das 14h às 20h
Informações: acervojorgefeitosa.com / Instagram: @acervo.jorgefeitosa
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