Kemilla Rebelo é premiada pela IBRA ao provar que o samburá, o pólen de abelhas sem ferrão, reduz a glicemia e modula a microbiota intestinal
A ciência produzida no coração da maior floresta tropical do mundo acaba de conquistar um dos maiores reconhecimentos globais no estudo de abelhas nativas. A pesquisadora Kemilla Sarmento Rebelo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), foi a grande vencedora do prestigiado prêmio MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy, concedido pela renomada International Bee Research Association (IBRA).
Avaliada por uma comissão científica rigorosa com representantes de todos os continentes, a jovem cientista amazonense recebeu a honraria durante o Simpósio Internacional sobre Abelhas sem Ferrão (ISSB IBRA 2026), transmitido globalmente a partir da Grécia. O prêmio coroa uma pesquisa pioneira que coloca a biodiversidade amazônica no centro do tratamento de distúrbios metabólicos e da bioeconomia.
Superalimento da Floresta Combate Diabetes e Obesidade
O estudo pré-clínico premiado é o primeiro no mundo a demonstrar os impactos terapêuticos do samburá, o pólen fermentado produzido pelas abelhas sem ferrão da Amazônia. A investigação revelou que o insumo é capaz de reduzir drasticamente a glicose de jejum e de modular de forma benéfica a microbiota intestinal em modelos de obesidade.
Essa descoberta abre caminhos revolucionários para tratamentos complementares de saúde humana. A pesquisa foi desenvolvida durante o doutorado de Kemilla na Unicamp, com estágio na renomada Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e contou com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
“A modificação da microbiota intestinal foi associada à melhoria do metabolismo sistêmico da glicose, indicando grande potencial do samburá para uso por pessoas com diabetes. O Amazonas é o estado com a maior diversidade de abelhas sem ferrão, então ainda há muito a conhecer sobre o samburá de cada espécie. Me sinto muito feliz e honrada”, comemora a cientista.
Riqueza Inexplorada e o Futuro da Bioeconomia
Atualmente docente e orientadora no programa de Pós-Graduação do Inpa, Kemilla enxerga no prêmio um holofote necessário para a conservação e o estudo das abelhas nativas. Das mais de 500 espécies de abelhas sem ferrão existentes no planeta, a Amazônia abriga a maior fatia dessa diversidade, tornando o potencial de novos bioprodutos praticamente infinito.
O Inpa já mantém uma coleção viva dessas espécies e lidera pesquisas de ponta focadas em nutrição e saúde a partir de recursos florestais não madeireiros. O reconhecimento internacional da pesquisa de Kemilla fortalece a tese de que a floresta em pé e preservada guarda soluções biotecnológicas inestimáveis para a medicina moderna.
Como parte da premiação, a cientista recebeu literatura científica de ponta da editora Springer Nature e a assinatura anual do respeitado Journal of Apicultural Research, ferramentas fundamentais para seguir impulsionando suas descobertas de Manaus para o mundo.
Serviço:
Entidade Premiada: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI)
Pesquisadora: Dra. Kemilla Sarmento Rebelo
Prêmio: MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy (IBRA 2026)
Linha de Pesquisa: Propriedades terapêuticas do samburá de abelhas nativas da Amazônia
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