Costumes, rituais fazem parte do intercâmbio entre culturas iniciado por imigrantes marroquinos a partir de 1810
A Maior exposição realizada pelo Museu Judaico de São Paulo desde sua inauguração em 2021, Judeus na Amazônia realiza sua itinerância para Manaus. A mostra fica em cartaz do dia 29 de agosto até 6 de dezembro de 2026 no Instituto Cultural Brasil – Estados Unidos (ICBEU), reunindo mais de 200 obras de arte, vídeos, documentos históricos e fotográficos.
A mostra panorâmica é fruto de uma pesquisa de dois anos realizada pelo Museu e está subdividida em 12 núcleos temáticos que abordam recortes como embarcações, trocas comerciais, mulheres, ativismo ambiental e as cores e sabores da região. O projeto propõe um olhar ampliado sobre como a cultura judaica se ambientou em diferentes localidades, influenciando e sendo influenciada, sem perder suas raízes. A curadoria é de Aldrin Figueiredo, Ilana Feldman, Renato Athias e Mariana Lorenzi – sendo esta última a responsável também pelo recorte que agora faz sua itinerância para Manaus.
“O desejo foi abarcar todo o contexto histórico e documental e, ao mesmo tempo, trazer cor e sabor para a exposição”, explica a Mariana Lorenzi, ressaltando que a pesquisa não se limitou às capitais Manaus e Belém, mas estendeu-se por famílias de cidades como Gurupá, Cametá, Ilha do Marajó, Parintins e Breves, com visitas a antigos cemitérios – um levantamento aponta que mais de 50 deles teriam existido na região – arquivos e sinagogas.
“Foi um desafio fazer o levantamento da maior variedade possível de materiais, uma construção ativa de encontrar e mobilizar as pessoas que fazem parte daquela história”, complementa a curadora, ressaltando a importância de Samuel Benchimol (1923-2002) e outros pesquisadores que se debruçaram anteriormente sobre o tema e a importância do ciclo da borracha para o entendimento dos fluxos migratórios na região. Antes da exposição, de seminários preparatórios sobre a presença judaica na Amazônia aconteceram em São Paulo, Belém, Manaus e Manaus e São Luís do Maranhão.
A itinerância conta com as reproduções de obras comissionadas para o projeto do coletivo paraense Letras que Flutuam formado por abridores de letras que seguem os padrões de cor e formato dos escritos dos barcos amazônicos e de Diego Azevedo, jovem pintor que trabalhou a partir de fotografias históricas para realizar os retratos de duas mulheres ímpares – Sultana Levy (1910–2007), considerada a primeira romancista modernista do Pará, e Feliz Benoliel, jornalista e militante feminista.
A premiada videoartista contemporânea Janaina Wagner apresenta um filme em Super 8 que registra pedras de rio com inscrições de povos originários, acompanhado pela narração de um texto da escritora Marguerite Duras sobre deslocamento e identidade, traduzido para o ladino e a haquitia, dialetos falados por comunidades judaicas originárias da Península Ibérica e do Norte da África que se estabeleceram na região amazônica.
Como destaques da itinerância, serão apresentados um conjunto de objetos históricos ligados à trajetória da comunidade judaica de Manaus, que voltam a ser exibidos na cidade no contexto da exposição: uma ketubá (contrato tradicional de casamento judaico) de 1946; um livro de reza do acervo pertencente à Coleção Biblioteca Samuel Benchimol; uma chanukiá do século XX e um tass (enfeite para a Torá) de prata, datado de 1952, do acervo do Museu Judaico de São Paulo.
“Para o Museu Judaico de São Paulo, a itinerância de Judeus na Amazônia marca uma nova fase de uma pesquisa construída com muito fôlego e interesse por mais de 2 anos. Apresentar a exposição em Manaus, território de extrema relevância para essa história, significa reconhecer que o conhecimento produzido a partir do Museu não se encerra em uma exposição. Ao contrário, é na escuta do público local, de suas histórias e leituras, que essa investigação pode ganhar novos contornos e continuar se desdobrando”, conta Patricia Wagner, diretora de Curadoria e Participação do MUJ.
“Receber uma exposição como Judeus na Amazônia reafirma o compromisso do ICBEU Manaus de conectar o Amazonas aos grandes circuitos culturais do país e, mais do que isso, nos permite mostrar aos amazonenses uma importante parte da nossa história com a população judaico-marroquina. É uma honra abrir nossas portas para uma mostra que promove o diálogo entre diferentes culturas, preserva a memória e amplia o acesso do público amazonense a importantes narrativas da história brasileira”, conta Claudia Malheiros, superintendente do ICBEU Manaus.
“O MUJ acredita em itinerâncias. Democratizar a cultura não é apenas abrir portas e esperar o público: é encurtar distâncias e reconhecer que o patrimônio pertence,antes de tudo, aos territórios que o geraram. A exposição chega a Manaus carregada das perguntas que São Paulo lhe fez e será transformada pelas respostas que a Amazônia dará. Novos olhares, novas memórias de família e histórias que o público trará consigo — é assim que uma mostra continua viva depois da inauguração”, conta Marilia Neustein, diretora executiva do Museu Judaico de São Paulo.
Os 12 núcleos expositivos:
Cronologia; Samuel Benchimol; Vida pública; Cotidiano; Judeu Caboclo; Embarcações; Famílias; Sociedades; Necrópole verde; Floresta de pé; Comércio dos regatões; Mulheres
Sobre os curadores
Aldrin Moura de Figueiredo
Professor na Faculdade de História da UFPA. Curador experiente e consultor em diversos projetos para instituições brasileiras e estrangeiras. Foi um dos curadores da exposição Raio que o parta, vencedora do prêmio ABCA.
Ilana Feldman
Professora, pesquisadora, ensaísta e curadora independente. É professora adjunta na ECo-UFRJ. Tem pós-doutorado em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA-USP e pós-doutorado em Teoria Literária pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP. É doutora em Ciências da Comunicação pela USP, com passagem pelo Departamento de Filosofia, Artes e Estética da Universidade Paris.
Mariana Lorenzi
Possui graduação em Comunicação Social pela FAAP(São Paulo) e mestrado em Artes Políticas pela NYU(Nova York). Atua como curadora, editora e gestora cultural, tendo colaborado com instituições como Casa do Povo, Pinacoteca, Sesc, entre outras.
Renato Athias
Antropólogo, é um dos criadores do curso de Museologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde atua como professor do Programa de Pós-graduação em Antropologia desde 1999. Sua pesquisa acadêmica foca em temas como: etnologia indígena, xamanismo, práticas tradicionais de cura, antropologia do desenvolvimento, antropologia política e antropologia visual. Sua produção acadêmica compreende desde artigos e livros a exposições sobre as populações indígenas do norte e nordeste do Brasil.
Sobre o Museu Judaico de São Paulo (MUJ)
O Museu Judaico de São Paulo cultiva e apresenta a diversidade das expressões da cultura judaica em diálogo com o contexto brasileiro e com o contemporâneo, dedicando-se à defesa dos direitos humanos e ao combate ao antissemitismo e a todas as formas de preconceito. Inaugurado em 2021, fruto de uma mobilização da sociedade civil, o MUJ possui o maior acervo judaico da América Latina. Além de quatro andares expositivos, com exposições de longa duração e temporárias, o Museu realiza festivais literários, concertos musicais, seminários, debates, publicações, jornadas, oficinas e um amplo programa educativo, entrelaçando perspectivas judaicas e não judaicas. Os visitantes também têm acesso a uma biblioteca com mais de mil livros para consulta, a um café com delícias gastronômicas comandadas por chefs e restaurantes judaicos e a “Lodjinha”, com produtos diversificados para festas e tradições judaicas.
Sobre o ICBEU
Fundado em 6 de julho de 1956, o Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU Manaus) é um Centro Binacional sem fins lucrativos dedicado ao ensino da língua inglesa e à promoção do intercâmbio cultural. Em 2026, ao completar 70 anos, reafirma uma trajetória marcada pela educação, cultura, arte, tecnologia e inovação. Reconhecido com o selo de excelência da Embaixada dos Estados Unidos, consolidou-se como referência em Manaus e na região Norte.
Em 2025,o ICBEU retomou parcerias nacionais para receber exposições itinerantes, projetando-se como um importante polo cultural da Amazônia, apto a receber exposições de relevância nacional e a integrar o circuito brasileiro de artes visuais, fortalecendo sua missão de promover o intercâmbio cultural, a valorização do patrimônio artístico e o diálogo entre diferentes culturas. .
A itinerância de Judeus na Amazônia é apresentada pela Bemol, com patrocínio da Gera Amazonas, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Serviço
Itinerância Judeus na Amazônia
Período de exposição: Aberta para visitação a partir de 29 de agosto de 2026 a 6
de dezembro de 2026
Horários: segunda a sexta-feira (9h às 18h) e sábado (9h às 13h)
Local: ICBEU Manaus – Avenida Joaquim Nabuco, 1286, Centro de Manaus – AM
Entrada: Gratuita
Informações: (92) 3198-7100
Acesse o https://www.culturaamazonica.com.br/ e saiba mais sobre a Amazônia e o Mundo.
















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