Espetáculo amazonense revisita a enchente de 1953 para falar de memória, deslocamento e das transformações da Amazônia
Uma casa cercada pelas águas. Uma família tentando permanecer. E um rio que avança levando consigo parte de uma história. É desse cenário que nasce “Casa D’Água”, espetáculo da Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte&Fato que revisita a enchente de 1953 para abordar memória, abandono, deslocamento humano e as transformações sociais da Amazônia.
Com dramaturgia e direção de Douglas Rodrigues, em parceria com Leonel Worton, a montagem será apresentada em 25 de setembro, no Teatro Elis Regina, em São Bernardo do Campo, e em 26 de setembro, no Centro Cultural São Paulo (CCSP).
Quando a água muda tudo
A história acompanha uma mãe, uma filha e um homem isolados em um pequeno casebre durante a enchente. Conforme o nível do rio sobe, a família constrói novos assoalhos e marombas para permanecer acima da água.
A enchente também invade o cotidiano e o trabalho, transformando a própria casa em espaço de sobrevivência. A dramaturgia mistura acontecimentos históricos, relatos de ribeirinhos, jornais e elementos do imaginário amazônico para criar um drama sobre pessoas que aprenderam a viver entre o rio e a terra firme.
Memórias de uma Amazônia que mudou
O espetáculo também recupera marcas deixadas pela Batalha da Borracha, quando milhares de nordestinos foram mobilizados para trabalhar na Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial.
Com o fim do conflito e a queda da atividade seringueira, muitos trabalhadores permaneceram na região sem conseguir retornar às suas famílias. É nesse contexto que a enchente de 1953 surge como parte de uma história maior de deslocamento, abandono e transformação social.
“Os igarapés da minha infância já não existem mais”
A criação também parte das memórias do diretor Douglas Rodrigues, cuja infância foi marcada pela convivência com os rios amazônicos.
“Na aldeia da minha infância o tempo todo se podia ir ao rio.”
A lembrança se transforma em uma imagem central da montagem:
“Os igarapés da minha infância já não existem mais.”
Em “Casa D’Água”, a água é vida, ameaça, caminho e memória, uma presença que atravessa tanto a história coletiva quanto as lembranças pessoais.
Teatro amazonense em circulação
A montagem integra o projeto Ações Continuadas 2025 – Teatro, da Funarte, e faz parte da trajetória de 25 anos da Arte&Fato.
O elenco reúne Karol Medeiros, Leonel Worton, Neuriza Figueira, Acácia Mié, Vânia Rosas e Miramaia Félix. A trilha sonora e direção musical são de Regina Santos, com participação de Elson Arcos e Alan Jones.
Serviço
Casa D’Água – Um drama dos rios amazônicos
25 de setembro | 20h
Teatro Elis Regina – São Bernardo do Campo (SP)
Av. João Firmino, 900 – Assunção
26 de setembro | 20h
Centro Cultural São Paulo – CCSP
Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade
Fotos: Ranyere Frota/Divulgação
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