Corpo de Dança Caprichoso inicia ensaios no Curral Zeca Xibelão e abre espaço para novos talentos do Festival de Parintins
O Corpo de Dança Caprichoso (CDC) deu início, na última quarta (23), à preparação para o Festival de Parintins 2027. No Curral Zeca Xibelão, em Parintins, o grupo abriu as inscrições para dançarinos experientes e novos talentos interessados em integrar o elenco do Boi-Bumbá Caprichoso.
Sob coordenação do coreógrafo e pajé do bumbá, Erick Beltrão, o CDC trabalha com a expectativa de reunir cerca de 200 dançarinos para a próxima temporada. O elenco deverá participar de diferentes momentos da apresentação do Caprichoso na arena, incluindo cenas, bailados, rituais, povos originários e lendas amazônicas.
A atuação do grupo também se estende para além do Festival de Parintins, com participação em apresentações voltadas ao turismo e em eventos culturais.
“Além da participação no Festival de Parintins, o Corpo de Dança Caprichoso também atua em apresentações voltadas ao turismo, como o Show de Turistas. As inscrições seguem ao longo dos ensaios e continuam durante toda a temporada”, afirma Erick Beltrão.
Dança como formação e identidade
Com 27 anos, Ikison Teixeira está há 16 anos no Corpo de Dança Caprichoso. Sua relação com a dança começou ainda na formação artística na Escola de Artes Irmão Miguel de Pascalle, onde praticava capoeira.
“Na Escolinha de Arte, eu fazia capoeira. Entrei para o grupo Ritmos, fui da Raça Azul Mirim e me encontrei aqui na dança, no CDC. É uma experiência incrível poder estar na arena”, conta.
A trajetória de Ikison representa a relação entre formação artística e cultura popular, em um espaço onde jovens encontram na dança uma possibilidade de expressão e de participação na construção do espetáculo do boi-bumbá.
O coordenador do CDC e coreógrafo de palco, Diego Nascimento, também levou a experiência com a dança para sua formação acadêmica. Aos 34 anos, ele desenvolveu um projeto de mestrado relacionado à presença da dança do boi-bumbá de Parintins no ambiente escolar.
“Levei a dança para a Escola Irma Sá e depois transformei isso no meu mestrado, dentro do projeto da UFAM, que é ‘A dança do boi-bumbá de Parintins dentro da escola’. Trabalhei movimentos básicos e criei um recurso pedagógico para os professores”, relata.
Novos talentos chegam ao CDC
A abertura das inscrições também reuniu jovens que carregam o desejo de participar do espetáculo azul e branco.
Raquely chegou ao local acompanhada da mãe, Suziane Bastos. Sem experiência anterior no CDC, a jovem começou a estudar coreografias por meio de vídeos na internet para se preparar para os ensaios.
“Aprendo no YouTube. E agora desejo participar dos ensaios e brincar no meu boi”, afirma.
Para Suziane, acompanhar a filha nesse processo também representa uma forma de manter a tradição familiar.
“A família sempre foi Caprichoso e eu apoio. Acho importante. Se ela fica feliz, eu também fico”, diz.
Naomi Silva também chega ao CDC motivada por uma história familiar ligada ao boi-bumbá. Ela cresceu acompanhando parentes envolvidos com a dança, a Escola de Arte e a cultura do Caprichoso.
“É um desejo que tenho desde criança. Sempre via os vídeos da minha tia dançando no CDC e, como eu era menor, não podia. Hoje tenho a expectativa de entrar para o Corpo de Dança”, afirma.
Dança, memória e cultura indígena
Entre os novos integrantes está o artista visual, comunicador e ativista indígena Adolfo Tapaiuna, da etnia Sateré-Mawé. Em sua primeira experiência com o CDC, ele vê a dança como espaço de expressão artística, promoção da saúde e valorização da cultura dos povos originários.
“É a minha primeira experiência com o CDC, com a dança. A gente passa a entender que movimentar-se é saúde, arte e cultura. Para os povos originários, a dança parte do ritual. E, para nós, enquanto corpo artístico, a arte significa memória, movimenta pessoas e transmite a nossa cultura”, destaca.
A presença de Adolfo reforça uma dimensão importante do Corpo de Dança Caprichoso: a utilização do movimento e da cena para construir narrativas relacionadas à Amazônia, aos povos originários, aos rituais e às memórias que integram o imaginário do Festival de Parintins.
Com novos e antigos integrantes, o CDC inicia uma nova temporada mantendo a dança como um dos elementos fundamentais da apresentação do Caprichoso e como espaço de formação, expressão e continuidade da cultura amazônica.
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