Quarto single do artista indígena Baré mistura ritmos amazônicos, pop, funk e música eletrônica em uma reflexão sobre território, pertencimento e cuidado coletivo
O cantor, compositor e produtor artístico indígena Baré Eric Max lançou o single “Tatá Wasú”, faixa que transforma a imagem do “Fogo Grande” em uma mensagem sobre vida, ancestralidade, pertencimento e união. Disponível desde 28 de agosto, a música é o quarto single da carreira do artista e marca uma nova etapa do Ixé Pop Amazônico, linguagem criada por Eric para aproximar identidade indígena, território e sonoridades contemporâneas.
“Tatá Wasú” sucede “Rio Negro”, “Mucura” e “Encanta Não”. A composição parte do fogo como símbolo de espírito e força vital e estabelece conexões com a identidade Baré e o território do Rio Negro, incorporando elementos do boi-bumbá, funk, indie pop e música eletrônica.
No refrão, a expressão “Yandé Reté Tatá Wasú” representa, segundo Eric Max, a ideia de que “nosso corpo é um Fogo Grande”. A partir dessa imagem, a música fala sobre a permanência da vida, a força dos povos indígenas e a necessidade de manter vivas a floresta, a memória e as relações com o território.
“Tatá Wasú” nasce como uma música de vida
A criação da faixa também foi atravessada pela perda da parente Baré Shirley Araújo Thomas, conhecida como Rio-Negrina, que morreu por suicídio em dezembro de 2025.
A experiência levou o artista a refletir sobre os casos de suicídio entre povos indígenas, especialmente entre os mais jovens. Em setembro, mês marcado no Brasil por ações de prevenção ao suicídio, Eric apresenta “Tatá Wasú” como uma obra voltada ao fortalecimento da vida e ao cuidado coletivo.
“Tatá Wasú é uma música de vida. Quando eu canto ‘Yandé Reté Tatá Wasú’, estou dizendo que nosso corpo é um Fogo Grande, que existe uma chama dentro de nós que precisa continuar acesa.”
Para Eric, essa chama também está relacionada à permanência dos povos indígenas e à preservação da memória amazônica.
“A perda da nossa parente Shirley Baré atravessou profundamente esse trabalho e me fez pensar em quantos dos nossos, especialmente jovens, estão deixando essa chama se apagar. Tatá Wasú nasce como um chamado: levanta, reacende teu espírito, olha para quem está ao teu lado e ajuda a manter esse fogo vivo.”
O artista define sua produção musical como uma forma de comunicação que combina entretenimento e mensagem.
“Minha música existe para curar. É entretenimento, mas também é mensagem de cura, reza forte para dançar e despertar o espírito para o positivo.”
Da batucada amazônica ao pop de arena
Musicalmente, “Tatá Wasú” aproxima elementos da música amazônica de uma estética pensada para grandes experiências coletivas. A faixa utiliza um refrão-mantra, crescimento progressivo de energia e uma construção vocal que busca criar uma atmosfera de celebração.
Os tambores, bumbos e a batucada associados ao boi-bumbá encontram a cadência do funk, referências do indie pop e texturas da música eletrônica. O resultado é uma sonoridade que procura traduzir ancestralidade, vivência ribeirinha e território em uma linguagem pop contemporânea.
A proposta integra o conceito de Ixé Pop Amazônico, também apresentado pelo artista como Ixé Pop Indie Amazônico. Para Eric, “Ixé” está relacionado à ideia de “eu” e sintetiza uma relação entre identidade, corpo e território.
Em “Tatá Wasú”, essa identidade ganha uma dimensão coletiva, reunindo elementos de manifesto, reza, cura e celebração.
Produção aproxima identidade amazônica e música eletrônica
A produção musical do single é assinada por Eric Max Sales Guimarães Gonnet e Toni Arcelinni.
Eric Max é cantor, compositor e produtor artístico indígena Baré e criador do Ixé Pop Amazônico. Já Toni Arcelinni atua em vertentes como pop, electropop, R&B e EDM.
Na faixa, os produtores combinam referências da identidade amazônica com elementos da música pop e eletrônica, ampliando a proposta de criação de uma sonoridade contemporânea conectada ao território.
Videoclipe reúne indígenas e afro-brasileiros
“Tatá Wasú” também ganhou um videoclipe dirigido por Ju Damasio, da Produtora do Fim do Mundo, em sua estreia na direção de um clipe musical.
Gravado no Rio de Janeiro, o vídeo utiliza o futebol como espaço de encontro, resistência e celebração, reunindo participantes indígenas e afro-brasileiros.
A produção conta com a participação da Seleção Indígena de Futebol do Brasil e das Américas (SIFBA) e aborda temas como pertencimento, união e enfrentamento ao preconceito, destacando a presença dos povos originários nos campos.
O videoclipe também recebeu apoio do Grupo Arco-Íris e conta com a participação de seu fundador, Cláudio Nascimento. Em uma das cenas, ele entrega a Eric Max a camisa número 24, gesto apresentado na narrativa como símbolo de passagem e resistência e de aproximação entre as lutas indígenas, negras e LGBTQIAPN+.
Serviço
Single: “Tatá Wasú”
Artista: Eric Max
Lançamento: 28 de agosto de 2026
Gênero: Ixé Pop Amazônico / pop amazônico
Produção musical: Eric Max Sales Guimarães Gonnet e Toni Arcelinni
Direção do videoclipe: Ju Damasio
Participação: Seleção Indígena de Futebol do Brasil e das Américas (SIFBA)
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