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Roteiro amazonense “O Bagre, a Menina e o Rio” é finalista do FRAPA 2026

‘O Bagre, a Menina e o Rio’, de Marcos Tupinambá, é finalista do FRAPA 2026
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Projeto de Marcos Tupinambá, ambientado nas palafitas de Educandos, foi o único representante da Região Norte entre os semifinalistas do concurso

O roteiro amazonense “O Bagre, a Menina e o Rio”, do diretor e roteirista Marcos Tupinambá, está entre os cinco finalistas do Concurso de Roteiros de Longa-Metragem do FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre. O resultado foi anunciado na última quinta (10/9).

Ambientado nas palafitas do bairro Educandos, em Manaus, o projeto foi selecionado inicialmente entre 323 roteiros inscritos e chegou à semifinal como o único representante da Região Norte. Agora, disputa o prêmio principal entre cinco finalistas da edição de 2026.

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O vencedor será anunciado em 6 de novembro, durante a cerimônia de premiação do festival, que acontece em Porto Alegre.

Para Marcos Tupinambá, a classificação representa mais uma etapa no desenvolvimento do projeto e na busca por levar a história às telas.

“Essa é uma história que foi amadurecendo e ganhando novas camadas. É uma satisfação perceber que ela também desperta o interesse de pessoas com experiências tão diversas, inclusive dentro do mercado”, afirma.

Roteiro amazonense chega à disputa nacional

Com a classificação, Tupinambá garante uma vaga no 8º FRAPA[LAB], credencial para a 14ª edição do festival e a oportunidade de apresentar o projeto em um pitching durante a programação.

Os cinco finalistas também participarão de um encontro presencial, em dupla, com a Globo, além de um encontro coletivo com um executivo da Amazon durante o FRAPA 2026.

A seleção inclui ainda bolsa integral para um curso da plataforma b_arco on, 90 dias de assinatura da MUBI e um ano do plano essencial, além de uma mentoria oferecida pela Transforma.

Antes de chegar à final do FRAPA, “O Bagre, a Menina e o Rio” também conquistou o segundo lugar no Grande Prêmio de Roteiro, na categoria Argumento.

Da ideia de curta ao roteiro de longa-metragem

A história começou a ser desenvolvida como um curta-metragem. Anos depois, o projeto ganhou a possibilidade de ser transformado em longa.

Em 2023, o roteiro foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital nº 01/2023 de Fomento às Artes, na categoria Audiovisual, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e execução do Governo do Amazonas, via Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

Segundo Tupinambá, o projeto foi concluído no final de 2025 e, posteriormente, passou a ser inscrito em festivais e concursos nacionais.

“Depois de alguns anos de desenvolvimento, finalmente concluí o projeto no final de 2025 e decidi submetê-lo a festivais e concursos nacionais de roteiro, como uma maneira de colocar a história em contato com outros olhares e entender como ela poderia reverberar para além de mim”, conta.

Manaus, o Rio Negro e o realismo fantástico

Ambientado em 1995, “O Bagre, a Menina e o Rio” acompanha Jennyffer, uma menina de 12 anos que enfrenta diferentes conflitos com coragem, e Piraíba, um garoto recluso com características de peixe, cuja aparência alimenta lendas, medo e preconceitos.

A amizade entre os dois conduz a narrativa enquanto diferentes conflitos atravessam suas vidas e o território onde vivem.

Jennyffer convive com a violência doméstica, enquanto Piraíba é atormentado por visões e vozes que parecem surgir das profundezas do rio. Ao mesmo tempo, a ameaça de remoção das palafitas coloca em jogo a permanência dos moradores e transforma o Rio Negro em elemento central da história.

A narrativa combina realismo mágico, memória ancestral e questões sociais, utilizando referências de lendas e símbolos amazônicos para construir uma história contemporânea ambientada em Manaus.

Para Tupinambá, levar esses elementos para o cinema também representa uma forma de valorizar histórias e tradições da região.

“Isso não apenas enriquece a cultura local, mas também contribui para a preservação de histórias e tradições que, de outra forma, poderiam ser esquecidas. Essa valorização da cultura regional tem o potencial de fortalecer o senso de identidade da população local.”

Palafitas deixam de ser cenário e passam a integrar a narrativa

No projeto, o território não aparece apenas como pano de fundo. As palafitas e o rio participam diretamente da experiência dos personagens e da construção simbólica da história.

O diretor destaca que o longa procura apresentar uma perspectiva sobre comunidades amazônicas ainda pouco representadas no audiovisual brasileiro.

“O filme apresenta um olhar autêntico sobre a vida nas margens do Rio Negro, destacando desafios e lutas cotidianas. Isso ajuda a quebrar estereótipos e promover a inclusão social, lembrando que histórias poderosas podem surgir de qualquer lugar.”

A proposta também busca aproximar questões contemporâneas da cultura amazônica, articulando amizade, identidade, memória, território e representação social.

“É um projeto cinematográfico que não apenas conta uma história envolvente de amizade e amor, mas também resgata e preserva elementos importantes da cultura da Amazônia, aumenta a conscientização sobre questões sociais relevantes e dá voz a comunidades sub-representadas”, afirma Tupinambá.

FRAPA reúne roteiro, criação e mercado audiovisual

Criado em Porto Alegre, o FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre é dedicado ao desenvolvimento e à discussão de roteiros para cinema e televisão.

Em 2026, o festival chega à 14ª edição e será realizado de 2 a 6 de novembro, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.

A programação reúne roteiristas, diretores, produtores, agentes de roteiro, representantes de produtoras, canais de televisão, distribuidoras, plataformas de streaming e estudantes.

Entre as atividades estão mesas de debate, oficinas, masterclasses, speed matchings, estudos de caso, sessões comentadas, concursos de Roteiros e Argumentos, pitchings, mostras de longas e curtas e Rodada de Negócios.

Serviço

Festival: 14º FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre
Projeto finalista: “O Bagre, a Menina e o Rio”
Roteiro e direção: Marcos Tupinambá
Finalistas: 5 projetos
Inscritos no concurso: 323
Representação regional: único projeto da Região Norte entre os semifinalistas
Festival: 2 a 6 de novembro de 2026
Local: Casa de Cultura Mario Quintana – Porto Alegre (RS)
Resultado: 6 de novembro de 2026
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