Mostra “Rua: Substantivo Feminino”, em cartaz no Sesc Santo Amaro, reúne obras de 150 artistas e destaca diferentes territórios, linguagens e experiências das mulheres na ocupação do espaço público.
A rua como espaço de expressão, memória, resistência e transformação é o ponto de partida da exposição Rua: Substantivo Feminino, em cartaz no Sesc Santo Amaro, em São Paulo. A mostra reúne trabalhos de 150 artistas e articula linguagens como grafite, cartazes, muralismo, videoprojeções, instalações e arte têxtil para discutir a presença das mulheres na arte urbana e o direito de ocupar a cidade.
Entre as curadoras está a amazonense Virna Lisi, que integra uma equipe colaborativa formada também por Mariana Pabst Martins (SP), Juliana Crispe (SC), Minom Pinho, responsável pelo audiovisual (BA), e Baixo Ribeiro, na organização (SP). A composição reúne diferentes perspectivas regionais e amplia o olhar sobre a produção artística brasileira para além dos circuitos tradicionalmente concentrados no Sudeste.
A exposição propõe uma reflexão sobre como as mulheres transformam a paisagem urbana por meio da arte e do ativismo. Nas obras, a rua deixa de ser apenas cenário e passa a funcionar como território de criação, disputa, pertencimento e reivindicação de direitos.
Amazônia no centro do debate
A presença de artistas do Norte, incluindo criadoras indígenas e periféricas, contribui para ampliar as narrativas sobre corpo, cidade e identidade. Entre os nomes, estão Cida Ariporã Kokama, Auá Mendes, Moara Tupinambá, Thais Desana e Wɨra Tini.
Para Virna Lisi, a participação de artistas de diferentes regiões é fundamental para reconhecer a diversidade das experiências urbanas brasileiras.
“A partir da Amazônia, o debate sobre o direito à cidade também envolve rios, comunidades indígenas, territórios ribeirinhos, periferias e relações de ancestralidade que nem sempre encontram espaço nas narrativas dominantes da arte contemporânea”, afirma a artista.
A curadora destaca que descentralizar esse debate significa ampliar a visibilidade e a representação de produções historicamente menos presentes nos principais circuitos artísticos do país.
“A reunião de diferentes trajetórias permite, assim, construir uma leitura mais plural da relação entre arte, território e espaço público”, enfatiza Virna Lisi.
Diferentes linguagens, uma cidade em diálogo
A montagem foi concebida para aproximar as linguagens artísticas, sem separar rigidamente suas formas de expressão. Cartazes dialogam com murais, videoprojeções ampliam narrativas das obras físicas e o grafite leva para o ambiente expositivo referências da rua.
Além das obras selecionadas pela curadoria, a exposição apresenta cartazes de 150 artistas e prevê a participação de novas criadoras por meio de uma chamada nacional de vídeo-portfólios. Os materiais são exibidos continuamente em duas telas, ampliando a possibilidade de participação de artistas de diferentes regiões e contextos socioculturais.
A iniciativa busca manter a mostra aberta a novas vozes ao longo de seu período de realização. A proposta é que o projeto funcione como uma plataforma viva de compartilhamento, capaz de ampliar a rede de artistas participantes e fortalecer a diversidade de experiências representadas.
Arte, participação e direito à cidade
A programação também prevê rodas de conversa, oficinas e encontros voltados à troca entre artistas e público. Entre os temas propostos estão a ocupação da cidade por mulheres, memória, ancestralidade, território, práticas colaborativas e direito à expressão no espaço público.
Ao reunir diferentes linguagens e trajetórias, Rua: Substantivo Feminino evidencia como a arte urbana pode questionar desigualdades e transformar os modos de perceber e habitar as cidades. A mostra também reforça a importância de reconhecer mulheres de diferentes origens e territórios como protagonistas da produção artística contemporânea.
A exposição afirma, assim, que ocupar a cidade é também um ato de criação, memória e transformação, abrindo espaço para que mulheres e grupos historicamente silenciados construam e apresentem suas próprias narrativas.
Serviço
Exposição: Rua: Substantivo Feminino
Local: Sesc Santo Amaro, São Paulo
Período: de 08/08 a 28/02, aos sábados e domingos, às 11h às 18h; e de 11/08 a 26/02, de terça a sexta-feira, às 10h30 às 21h.
Foto: Fernanda Luz
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