No dia 28 de novembro, sexta-feira, estudantes da rede pública farão visitas ao Teatro Amazonas e ao centro histórico de Manaus, em uma ação gratuita promovida pelo projeto Janelas e Fachadas, contemplado pelo edital Lei Aldir Blanc – 2024 da Prefeitura Municipal de Manaus, via Concultura, em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas (SEC). A iniciativa busca aproximar crianças e jovens dos principais bens arquitetônicos da capital, reforçando a educação patrimonial por meio de um circuito imersivo guiado por professores, artistas, educadores e especialistas dos espaços visitados. As visitas acontecem em duas sessões: às 10h e às 14h.
Inspirado no livro Janelas e Fachadas, publicado em 1984 por Moacyr Andrade, um dos mais celebrados artistas plásticos do Amazonas, o projeto retoma a ideia de uma “cidade-memória”, onde janelas e fachadas monumentais testemunham a Manaus que floresceu no início do século XIX e que teve papel fundamental na economia nacional. Assim como na obra, a proposta conduz os estudantes a refletirem sobre a perda gradativa dos traços históricos da cidade e sobre a urgência de preservar o que restou desse patrimônio.
O circuito segue o modelo “escola vai ao teatro”, levando alunos do ensino público para vivências fora da sala de aula. Nesta edição, o projeto conta com a parceria da Cia Metamorfose, dirigida por Socorro Andrade, responsável há décadas pelo consagrado projeto “Livro Vivo” no Teatro Amazonas. Para muitos dos estudantes, a sessão especial marcada para o dia 28 será a primeira oportunidade de entrar no maior patrimônio cultural do estado, seguindo depois para outros pontos históricos que compõem a memória urbana de Manaus. “Temos um centro histórico riquíssimo, e tenho orgulho de ter idealizado o projeto ‘Teatro-História’ do Teatro Amazonas, que existe há mais de 20 anos”, relembra Socorro Andrade, destacando a importância da iniciativa para a preservação da cultura local.
As imersões incluem também a visita ao Museu do Paço, espaço recriado pela Prefeitura Municipal de Manaus e parte do complexo Museu da Cidade. No local, a arquitetura portuguesa dialoga diretamente com peças arqueológicas de cerâmica indígena, evidenciando um povoamento muito anterior à colonização. O conjunto arquitetônico de Manaus é tombado pelo IPHAN, mas mesmo com esse reconhecimento nacional, ainda recebe pouca visitação escolar. Para o idealizador do projeto, Douglas Rodrigues, essa ausência representa risco à construção da identidade cultural das novas gerações.
“Os lugares têm pouca visitação, principalmente de estudantes, e isso pode fazer com que a sensação de pertencimento desapareça, ampliando ainda mais as lacunas entre a memória e a modernidade urbanística”, afirma.
Observações
Rodrigues ressalta ainda que Manaus, mesmo possuindo um centro arquitetônico brilhante, enfrenta processos contínuos de descaracterização e abandono, o que torna iniciativas como o Janelas e Fachadas e o Livro Vivo fundamentais para manter viva a história local. A proposta do projeto é estabelecer um programa ativo de educação patrimonial, aproximando crianças, jovens e professores dos bens arquitetônicos e ambientais da cidade, e incentivando a valorização da própria história. A iniciativa reforça princípios de preservação, proteção e pertencimento, promovendo diálogos diretos entre agentes culturais e alunos da rede pública.
Para a professora Vanessa Pimentel, da Escola Pedro Silvestre, envolver os estudantes é uma ação urgente.
“É necessário estimular o pertencimento das novas gerações aos valores culturais, patrimoniais e estéticos da cidade. Já perdemos muito no passado e ainda convivemos com esse fantasma nos rondando. Cabe a nós construirmos essa consciência com nossos alunos”, afirma. O projeto pretende não apenas democratizar o acesso aos bens culturais, mas também multiplicar a ideia de conservação do patrimônio e despertar o olhar dos estudantes para as memórias invisibilizadas que moldam Manaus.
Entre seus principais objetivos, o Janelas e Fachadas busca democratizar os bens culturais para crianças e jovens que têm pouco ou nenhum contato com o patrimônio histórico; promover a visitação aos espaços culturais; estimular a valorização dos bens arquitetônicos; construir diálogos entre agentes culturais e a rede pública de ensino; reforçar o papel individual na preservação da memória da cidade; multiplicar ações de conservação e despertar o olhar crítico sobre o patrimônio e suas narrativas apagadas.
A realização do projeto conta com ampla equipe técnica. A coordenação e produção são de Douglas Rodrigues, com produção de Israel Castro, Leonel Worton e Pan Dean. Os professores envolvidos são Vanessa Pimentel, Lucilene Pereira, Macyel Cardoso, Thatiana Duarte, Claúdia Ramos e Mauricio Grillo. A direção da Escola é de Gustavo Raposo. O designer e editor de vídeo é Ranyere Frota; as fotografias são de Bruno Lopes; a coordenação de produção é de Wesley Almeida; a coordenação de translado é de Wolnei Cesar; e o convidado especial é o projeto Livro Vivo, sob direção de Socorro Andrade. A produção geral é da Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte&Fato.
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