No último dia 13 de fevereiro, a cena ballroom brasileira celebrou seus grandes nomes na premiação Melhores do Ano, promovida pela NONE Ballroom Brasil — coletivo responsável pelo fortalecimento da cultural ballroom no Norte e Nordeste do país, articulando Ballroom, artivismo e performance como ferramentas de transformação social. A noite foi histórica para a Originária Casa Jabutt, que se consagrou como um dos maiores destaques do Norte ao conquistar quatro prêmios e uma menção honrosa, reafirmando seu protagonismo na cena amazônica e nacional.
Premiações recebidas:
* Kiki House do Ano: Casa Jabutt
* Mother do Ano: Overall Mother Harmonya Jabutt
* Face Woman do Ano: Princess Viqui Jabutt
* Fotógrafo do Ano: Mano Jabutt
Além das categorias vencidas, Mano Jabutt recebeu ainda uma menção honrosa por sua contribuição essencial à preservação da memória e ao fortalecimento da ballroom amazônica.
Um ano de fomento, formação e protagonismo
Em 2025, a Casa Jabutt se destacou pelo volume e pela consistência de suas ações. A house realizou treinos formativos, oficinas culturais e de fomento, feiras criativas, balls, performances e participou como convidada em diversos eventos culturais, ampliando o alcance da cena ballroom na região Norte. Mais do que presença artística, a Jabutt consolidou um trabalho estruturante: formação de novos talentos, articulação em rede e fortalecimento de identidades dissidentes, negras, indígenas e LGBTQIAPN+ na Amazônia.
A Overall Mother Harmonya Jabutt também celebrou o reconhecimento coletivo: “O reconhecimento através da coligação Norte e Nordeste Ballroom (NONE) 2025 é prova do trabalho que estamos fazendo ao longo desses 2 anos e meio. São premiações para um trabalho feito por muitas pessoas e que a Jabutt continue sendo um lugar seguro para falar da nossa ancestralidade, desenvolver estratégias de sobrevivência e fazer Ballroom na nossa comunidade.” A fala reforça que a construção da Casa Jabutt é coletiva, baseada em cuidado, estratégia e ancestralidade.
Memória, cinema e resistência: o legado de Mano Jabutt
Reconhecido como Fotógrafo do Ano, Mano Jabutt vem construindo um acervo fundamental para a memória da ballroom nortista. Atuando como fotógrafo e realizador audiovisual, desenvolve um trabalho ético, sensível e comprometido com as culturas dissidentes do Norte do Brasil. Dirigiu os curtas-metragens “Registros da Substância” e “MAKING OF: Casco de Jabutt”, obras que documentam processos criativos, afetos e dimensões políticas da ballroom para além do espetáculo. O segundo foi indicado ao II Close Festival de Cinema LGBTQIAPN+ de Manaus, ampliando o diálogo entre ballroom e cinema independente. Além do audiovisual, mantém um acervo contínuo de balls, treinos e encontros formativos, ampliando a visibilidade de artistas, fortalecendo identidades e projetando a ballroom amazônica para além de seus territórios.
Representatividade afro-indígena em destaque
A Princess Viqui Jabutt, premiada como Face Woman do Ano, celebrou a conquista com emoção: ”Fico muito feliz e realizada. Meu legado tá sendo feito e saber que o rosto do Norte é um rosto afro-indígena Pankararu mostra pro restante do Brasil que nós existimos e resistimos, seja na arte ou na beleza dos nossos traços.” Sua fala reforça o caráter político da ballroom amazônica: um espaço de afirmação estética, ancestral e territorial.
História feita — e novos caminhos em 2026
A Casa Jabutt encerrou 2025 fazendo história na cena ballroom brasileira e já inicia 2026 ampliando seu fomento cultural. Após retornar do interior do Pará, onde realizou a primeira edição do Circuito Tapajós Vogue, a house fortaleceu conexões na cena paraense e nortista, consolidando um movimento que ultrapassa capitais e ocupa novos territórios. Com premiações, memória ativa e articulação regional, a Originária Casa Jabutt reafirma que a ballroom amazônica não é tendência: é potência, legado e revolução cultural em curso.
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